Apoio de amigos e do estado ajuda mulher a enfrentar violência em casa

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Pesquisa mostrou que a percepção da população para romper o ciclo da violência doméstica é que as mulheres precisam principalmente do apoio da família e de amigos – resposta dada por 77% dos entrevistados – e do estado para se proteger do agressor (69%). Feita de forma online, a consulta revelou também que a pandemia de covid-19 tornou ainda mais difícil para as mulheres romper esse ciclo.

A pesquisa Violência Doméstica contra a Mulher na Pandemia, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, ouviu 1,5 mil homens e mulheres com 18 anos ou mais de idade, entre os dias 2 e 14 de outubro, em todo o Brasil.

A denúncia de atos de violência à polícia é uma saída apoiada pela maioria. Para 94% dos entrevistados, se uma pessoa vê, ou ouve, um homem batendo em uma mulher, ela deve denunciar, enquanto 78% consideram que, quando uma mulher é agredida pelo companheiro, deve procurar a Delegacia da Mulher.

Para 49% das pessoas, no entanto, ficou mais difícil para a mulher denunciar a violência doméstica durante o período de pandemia. O fato de que o agressor pode vigiar a mulher o tempo todo, e o isolamento dos amigos e da família foram apontados como os principais motivos que dificultam a denúncia no contexto de pandemia.

“A sociedade já demonstra sensibilidade sobre as barreiras que as mulheres enfrentam para romper com o ciclo da violência doméstica. Mas, mesmo compreendendo todas essas dificuldades, 83% afirmam que terminar a relação é a melhor forma de acabar com a violência e 78% consideram que a mulher agredida deve procurar a Delegacia da Mulher”, disse a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo.

Entre aqueles que conhecem uma vítima de violência doméstica, 58% disseram ter aconselhado a mulher a fazer uma denúncia na polícia; 35% conversaram com a mulher; 26% recomendaram procurar a ajuda de um advogado; 22% indicaram um serviço de ajuda especializada; 8% conversaram com o agressor; 7% disseram que ela procurasse a igreja. As pessoas que souberam de casos de agressão a uma mulher e tiveram contato com a vítima apresentaram, em média, duas reações.

Apesar da percepção da população em relação à violência doméstica revelada na pesquisa, há ainda discursos a serem desconstruídos. Entre os entrevistados, 62% discordam do ditado popular que diz: “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. No entanto, 27% ainda concordam com essa sentença.

Além disso, 75% afirmam que mulheres que permanecem em relações violentas escolhem correr o risco e 19% discordam disso. A pesquisa revela, porém, que, na percepção da população, mulheres que são agredidas e não se separam agem assim sobretudo por causa dos filhos (fator mencionado por 47% dos entrevistados), por medo de serem mortas (46%) e por dependência econômica (41%).

Reações e denúncias

Entre as mulheres vítimas de violência doméstica, 58% terminaram o relacionamento, 24% denunciaram as agressões à polícia e 7% não fizeram nada. Em 20% dos casos, a mulher contou a alguém da família e, em 18%, houve conversa entre a mulher e o parceiro, que acabaram se resolvendo entre eles. As entrevistadas podem ter tido mais de uma reação.

“A pesquisa mostra que três quartos da população conhecem uma mulher vítima de violência doméstica. Apesar de inúmeras conquistas no enfrentamento dessa situação – como a Lei Maria da Penha, que é reconhecida pela maioria – a percepção de falta de acolhimento às vítimas acaba desmobilizando as denúncias. Para 87%, a pandemia do novo coronavírus fez com que a violência contra a mulher aumentasse”, afirma a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê Machado.

Para solucionar essa desmobilização nas denúncias, considerando o contexto atual, Maíra diz que “é preciso agir rápido na consolidação e comunicação de portas de saída efetivas para que seja possível romper com o ciclo da violência presente na vida de tantas mulheres”.

Quanto ao conhecimento de recursos à disposição das vítimas de violência doméstica, 74% das mulheres entrevistadas disseram saber qual é o número de telefone para ajuda às agredidas, mas apenas 24% citaram o 180.

Considerando todos os entrevistados, 31% já ouviram falar sobre aplicativos criados na pandemia que ajudam vítimas de violência doméstica a pedir ajuda. No entanto, metade dessas pessoas não soube dizer o nome dos aplicativos e 44% afirmam já ter ouvido falar sobre a campanha Sinal Vermelho, que ajuda vítimas de violência doméstica.

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